Ao iniciarmos a reflexão em torno do tema da economia feminista precisamos pensar a respeito do trabalho das mulheres no enfrentamento da sua invisibilidade, principalmente, do trabalho doméstico e de cuidados. Esta divisão sexual do trabalho que naturaliza que as mulheres devem cuidar da alimentação da família, dos idosos, dos filhos, da casa e de seus arredores, restringe o lugar social das mulheres na economia, contribuindo para a manutenção do poder social masculino.
Por isso, desde o século XIX, as feministas têm questionado o atual modelo dominante de economia, que torna homens e mulheres desiguais e que impede o protagonismo feminino frente às políticas públicas, mantendo grande parte das mulheres em situação de pobreza e impede a igualdade de direitos.
Desta forma, a economia feminista também luta pela igualdade salarial entre mulheres e homens, pelo reconhecimento do trabalho doméstico como um valor e pelo fim da divisão do mundo em dois espaços: o público e o privado. Isto porque entendemos que as mulheres são excluídas do mundo público, o da produção, o que reforçou a sua dependência econômica em relação aos seus pais, maridos e filhos adultos.
Sendo assim, percebe-se que as mulheres foram destinadas à esfera privada, a da reprodução, como parte de um destino biológico, vinculado à maternidade, desconsiderando a sua produção doméstica e o papel econômico do seu trabalho na família. Embora, os indicadores sociais demonstrem que o trabalho das mulheres supre melhor as necessidades dos membros da família e em condições muito mais duras do que as suportadas pelos homens, ainda existe grande desqualificação ao trabalho das mulheres.
Portanto, a economia feminista busca dar visibilidade às mulheres enquanto protagonistas na economia, e assim enfocar o grande volume de trabalho doméstico e de cuidados desempenhado por elas. Ainda neste tema, abordamos a organização das mulheres em grupos de produção, cooperativas, e associações. Estamos falando de economia solidária e das mulheres.
Mas o que é economia solidária?
Trata-se de um conjunto de iniciativas associadas que através da autogestão, estão articuladas em redes de cooperação, mutirões e redes solidárias. Todas estas relações estão construindo novas formas de fazer o trabalho, baseadas na democracia, na participação, na posse coletiva dos bens, e na distribuição eqüitativa dos ganhos. Além disto, se busca orientar as práticas econômicas na direção dos princípios da sustentabilidade humana, social, econômica, ambiental e cultural.
Dentre todos estes debates, a economia solidária também traz para a discussão a situação das mulheres no mundo do trabalho, e qual o papel por elas cumprido nas relações de trabalho e na produção da riqueza nacional. No Brasil, as mulheres são mais pobres, e em particular as negras e rurais. Segundo, o PNDA de 2007 verificou-se que as mulheres rurais recebiam o equivalente a 68% do rendimento dos homens. Isso significa que a força de trabalho feminina é desvalorizada e que a distribuição de renda desigual é um profundo problema em nosso país.
Neste sentido, a economia solidária tem como princípio o fim da exploração da força de trabalho das mulheres, bem como, a nossa participação em todos os processos de produção e de comercialização, eliminando a histórica divisão sexual do trabalho. E ainda, promove a conquista da autonomia econômica das mulheres através da auto-organização de grupos produtivos e que também englobam as trabalhadoras rurais, fomentando o consumo consciente, a conservação do meio ambiente e a segurança alimentar, o combate à desigualdade e a valorização do trabalho feminino e do protagonismo das trabalhadoras rurais. o, eliminando a histsos de produças inina s rurais recebiam o equivalente a 68% do rendimento dos homens.
Íris de Carvalho - texto direcionado ao Projeto Reorganizaçaõ Produtiva das Trabalhadoras Rurais do Vale do Rio do Sinos Serra.
Nenhum comentário:
Postar um comentário