segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Reorganização do trabalho: uma luta pela autonomia econômica das mulheres.


O trabalho humano em sua História nem sempre foi usado como uma mercadoria, separada de sua natureza. O seu desenvolvimento tem como princípio a necessidade básica de superar-se no meio onde estabelecemos nossos vínculos sociais. Portanto, pode-se afirmar que o trabalho é um elemento central da atividade humana e em seu processo de sociabilidade e emancipação.
 Por isso lutamos pelo reconhecimento do trabalho das mulheres e questionamos a divisão sexual do trabalho. Podemos dizer que estes dois elementos estão no centro do debate sobre a autonomia econômica das mulheres.

E para conquistarmos a autonomia econômica feminina também precisamos, desde já, construirmos novas relações sociais e uma nova economia. Isto porque atualmente, o que predomina é um modelo que não considera produtivo as atividades realizadas no espaço doméstico, de cuidados e para auto-consumo que são essencialmente desenvolvidos por mulheres. Além disto, desvaloriza o trabalho feminino através de baixos salários, permanecendo as diferenças sociais entre homens e mulheres.

Mas o que é divisão sexual do trabalho?

É o tipo de Trabalho socialmente designado para mulheres e homens.
Costumamos ouvir dizer que tal serviço é trabalho “de homem” ou que tal tarefa é tarefa “de mulher”.
E o que isto tem a ver com nossas vidas? Tudo! Porque a divisão sexual do trabalho estabelece, prioritariamente, para as mulheres as responsabilidades pelo cuidado com a casa, as crianças, os idosos e doentes. E quando existe a tentativa de realizá-lo fora de casa, ele se demonstra uma extensão do papel de mãe. As mulheres se concentram em atividades consideradas, tipicamente, femininas como professoras, enfermeiras, assistentes sociais e costureiras.
Quando estão no campo, as mulheres também são menos valorizadas que os homens, porque o trabalho valorizado pela sociedade é o da força física necessária para executá-lo. No entanto, quando as mulheres trabalham na roça, é considerado ajuda ao marido “coisinha à toa”, permitindo a desvalorização das trabalhadoras rurais e mantendo as desigualdades sociais.
Por isto, além de melhor dividir o trabalho doméstico entre mulheres e homens, precisamos que o Estado assuma a necessidade de melhorar as condições de vida das mulheres, através de políticas públicas concretas, como por exemplo: garantia de direitos trabalhistas para as trabalhadoras rurais, políticas de geração de emprego e renda como o incentivo a criação de cooperativas de produção, comercialização/feiras, saúde integral próximas as colônias, delegacias da mulher e combate a violência no campo, consolidação do trabalho da trabalhadora rural e previdência social para as trabalhadoras rurais.


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